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XXIX Domingo do Tempo Comum

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

“DEUS FARÁ JUSTIÇA AOS SEUS ELEITOS”

Por entre tantas injustiças e desigualdades do mundo dos nossos dias, o silêncio de Deus pode ser incompreensível à lógica humana. Deus não abandona os seus filhos, nem faz “ouvidos moucos” às preces e angústias dos que sofrem e choram as crueldades e as injustiças dos homens. A cruz, altar do sacrifício do próprio Deus, atravessa os tempos e a história dos homens, para nos fazer perceber que, dos braços daquele madeiro, estende-se a dor e o sofrimento do próprio Deus ao sofrimento do homem. Deus não nos abandona, continua presente nas nossas vidas, chora e sofre com as dores dos seus filhos, alegra-se e festeja com as suas alegrias. Toca-nos, conforta-nos, ama-nos! Mas só os que não descobrem Deus na interioridade das suas vidas, na oração e no recolhimento, podem achar que Deus não acompanha os seus filhos no caminho da história. Por isso, a liturgia deste XXIX Domingo do Tempo Comum convida-nos à oração, ao diálogo íntimo e perseverante com Deus, para dessa forma O sentimos presente na nossa vida. Só assim poderemos acreditar no seu amor e confiar na sua intervenção salvífica no mundo e nas vidas de cada um. É na oração que o homem recolhe a força e a esperança para continuar as batalhas do quotidiano, confortado pelo amor de Deus e fortalecido pelo Espírito Santo.

Assim o fez Moisés, que no alto de um monte rezava e implorava a ajuda de Deus na batalha dos hebreus contra os amalecitas, como escutaremos na primeira leitura. Enquanto Moisés erguia as mãos para o alto, os hebreus ganhavam vantagem, mas logo que Moisés, vencido pelo cansaço, deixava cair as mãos, o inimigo voltava a dominar. Então resolveram colocar Aarão e Hur, um de cada lado, a segurar os braços de Moisés para que o inimigo fosse derrotado. Este episódio vem enfatizar a necessidade de rezar com insistência, pois Deus não ignorará as nossas súplicas. Assim como o povo de Deus foi capaz de olhar para a sua história e reconhecer a presença salvífica de Deus, assim também nós somos chamados a reconhecer o amor e a misericórdia, através das ações de tantos que lutam por um mundo mais justo e igual. Através desse, Deus continua a fazer-se presente na história da humanidade, servindo-se de tantos santos e santas do nosso quotidiano como instrumentos do Seu amor e da sua misericórdia.

A parábola do Juiz e da viúva que escutaremos no Evangelho reforça a ideia da necessidade de rezarmos com insistência. Se aquele juiz perverso e insensível, foi capaz de atender à insistência inoportuna daquela mulher, quanto mais Deus, repleto de amor e compaixão atenderá os pedidos dos seus filhos. Não nos deixemos vencer pelo desânimo e pela desconfiança, procuremos na oração a força e a coragem para vencermos os desafios tão exigentes da fé. Na comunhão íntima com o Pai, escutaremos a Sua voz que nos fala, que nos conforta e impulsiona para as lutas da vida.

Da segunda leitura, poderemos recolher uma importante divisa para vivermos este Dia Mundial das Missões: “Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina.” Ser missionário é viver animado pela Palavra, para a anunciar com a vida e com o testemunho. Porque somos batizados e, por isso, filhos de Deus, recebemos também a missão de anunciar a Palavra a “propósito e fora de propósito”, assumindo para nós a missão da Igreja, da qual somos membros. Rezemos também por todos os missionários: por aqueles que, partindo para terras estrangeiras, vivem a missão longe das suas raízes e confortos, mas também por todos nós, missionários do quotidiano e da vida de todos os dias, para que a nossa vida seja o maior contributo, para o anúncio da Palavra de Deus.